O problema nunca foi o que me disseram

Levei muito tempo para entender que “o problema nunca foi o que me disseram”. Meu desejo em compartilhar algo tão íntimo de minha vida com você, é para que minha experiência possa te ajudar a alcançar seus sonhos mais rapidamente. Levei muito tempo culpando minha mãe por eu não ser a artista que sempre sonhei. Isso mesmo, sempre sonhei em ser artista, mais precisamente cantora e violonista. No meu imaginário existe sempre a imagem de uma mulher que anda com uma bota pela estrada da vida, com um violão atravessado no corpo e muitas canções no coração para cantar. Minha mãe me disse quando eu era criança, que isso não era para mim, só para meu irmão porque ele era homem.

Tive algumas oportunidades de fazer aula de canto, de entrar para bandas, até de gravar algumas canções que ousadamente compus, mesmo não entendendo muito de música. Me matriculei em curso de teoria musical umas 3 vezes e a cada aula que eu ia, pensava: “isso, não é para mim”. A teoria parecia grego. Não entrava nada em minha cabeça. Fiz aula de violão, de canto particular e em grupo. Cantei em coral. Não evolui. Me frustrei e pensei: “definitivamente música não é para mim. E confesso: terminei desistindo. Meu irmão toca desde os 15. É autodidata e excelente multi-instrumentista profissional.

Por outro lado, uma força incrível me motivava a estudar outras coisas. Sempre acordei pilhada para ser mais inteligente, para ter mais conhecimento na área de comunicação, da fotografia, do jornalismo e do marketing. E sempre me achei muito inteligente nestes assuntos. Então, me questionava: “ Se aprendo tão rápido conceitos acadêmicos, se sou tão boa estudante, porque não consigo aprender música, cantar bem e tocar bem violão?”.
Então, lembrei que fui desafiada aos 16 anos, quando engravidei do meu único filho. Meu pai me disse que eu iria terminar meus dias atrás de um fogão e nunca terminaria meus estudos. Eu ainda cursava 8ª série (9º ano atual). Aquela frase mudou o curso das minhas escolhas. Porque eu senti muita raiva, decepção e indignação. Eu não conseguia acreditar que meu próprio pai estava profetizando minha derrota e eu me rebelei: decidi provar o contrário para ele.

Então, inconscientemente, naquele momento de revolta fiz um pacto comigo: eu não vou acreditar no que ele disse e vou provar o contrário. E me conectei com um poder gigantesco para estudar. Acordava todos os dias com um livro nas mãos e dormia com outro. Frequentei as aulas até o 9º mês de gravidez, só parei os estudos no dia do parto. Terminei o 2º grau de supletivo. Fiz o meu primeiro vestibular para o curso de comunicação e perdi. A concorrência na Universidade Federal da Bahia era muito alta e eu, estudante de supletivo, não estava preparada o suficiente. Mas, não desisti. No semestre seguinte tentei Letras e passei. Abandonei no 4º semestre porque estava pesado estudar, trabalhar e cuidar de filho, mas não desisti de estudar. Queria ser professora universitária, não importava quanto tempo levasse.

Te tornei professora de Inglês 4 anos depois. Me formei em jornalismo anos mais tarde e pós graduei em marketing. Li centenas de livros, fiz dezenas de formações e cursos. E pouco cozinhei na vida… tomei, de fato, aversão ao fogão. Mesmo com pouca grana e todas as dificuldades financeiras e emocionais que tive para consegui terminar os estudos, alcancei o que me propus: me tornei professora de graduação dos cursos de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e Marketing aos 38 anos – 21 anos depois de ser desafiada aos 16.
Até que finalmente caiu a ficha. Eu acreditei que música não era para mim e por isso não aprendi como eu gostaria. Por outro lado, acreditei que precisava provar para meu pai que não terminaria meus dias atrás de um fogão e seria uma acadêmica. Ou seja, o problema nunca foi o que me disseram, mas de fato, o que eu acreditei. Eu acreditei que poderia ser professora e não acreditei que era capaz de ser cantora. A responsabilidade é 100% minha, tanto da minha derrota, quanto da minha vitória. Por isso, não delegue ao outro o poder de dizer o que você é. Você pode ser o que quiser na vida. Isso depende somente de você mesmo. No dia que entendi isso, perdoei os meus pais. Fiz as pazes comigo mesma e entendi que agora não preciso provar mais nada para ninguém, porque provei para mim mesma que sou capaz… Capaz de ser o que eu quiser.

Os limites que colocam para você é sempre deles, não seus! Lembre-se sempre disso e acredite em você!

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